quinta-feira, 16 de julho de 2015

Só quem rema contra sabe a força da correnteza

Quando estamos remando a favor da corrente, descendo o rio, sendo tudo aquilo que a sociedade espera de nós, a viagem é tranquila e agradável, o mundo parece livre e florido, a viagem não exige esforço algum.

Um belo dia, entretanto, deixamos de ser uma ou mais daquelas coisas que a sociedade espera que sejamos. Pode ser um desvio pequeno ou grande, incidental ou ontológico, pode ser uma decisão de momento, pode ser revelarmos ao mundo aquilo que sempre fomos: abandonar celular, abraçar o ateísmo, tornar-se feminista, decidir não procriar, sair do armário.

De repente, a corrente não está mais nos levando para onde queremos ir. (...) Para chegarmos ao nosso novo objetivo, para sermos quem queremos ser, teremos que remar contra a correnteza.

Nesse momento, quando enfiamos o remo na água para remar contra a corrente, é que percebemos tudo aquilo que não percebíamos antes: que aquele rio que parecia tão agradável  tranquilo na verdade é forte, caudaloso, intolerante.

Alex Castro