segunda-feira, 9 de setembro de 2013

era uma vez uma boneca de sal. após peregrinar por terras áridas, descobriu o mar e não conseguiu compreendê-lo. perguntou ao mar: “quem é você?”

e o mar respondeu: “sou o mar.”

“mas o que é o mar?”

e o mar respondeu: “o mar sou eu.”

“não entendo”, disse a boneca de sal, “mas gostaria muito de entender. como faço?”

o mar respondeu: “encoste em mim.”

então, a boneca de sal timidamente encostou no mar com as pontas dos dedos do pé. sentiu que começava a entender mas também sentiu que acabara de perder o pé, dissolvido na água.

“mar, o que você fez?!”

e o mar respondeu:

“eu te dei um pouco de entendimento e você me deu um pouco de você. para entender tudo, é necessário dar tudo.”

ansiosa pelo conhecimento, mas também com medo, a boneca de sal começou a entrar no mar. quanto mais entrava, e quanto mais se dissolvia, mais compreendia a enormidade do mar e da natureza, mas ainda faltava alguma coisa:

“afinal, o que é o mar?”

então, foi coberta por uma onda. em seu último momento de consciência individual, antes de diluir-se completamente na água, a boneca ainda conseguiu dizer:

“o mar… o mar sou eu!”