terça-feira, 30 de julho de 2013

" […] Pois bem, começamos nossa vida na cidade. Ali, a vida é melhor para as pessoas infelizes. Na cidade, um homem pode viver cem anos e nem perceber que já morreu e apodreceu há muito. Não há tempo para alguém examinar a si mesmo, está tudo ocupado. Os negócios, as relações sociais, a saúde, as artes, a saúde dos filhos, a sua educação. Ora é preciso receber estes e aqueles, ir visitar uns e outros, ora é preciso encontrar-se com esta, ouvir aquele ou aquela. Na cidade, a qualquer momento, há uma, ou simultaneamente duas, três celebridades, que não se pode deixar de ver. Ora é preciso tratar-se ou providenciar o tratamento de outrem, ora são os professores, explicadores, governantas, e a vida corre vazia, vazia. E assim vivemos, sentindo menos dolorosa a nossa coabitação." (Leon Tolstói, em “A Sonata a Kreutzer", 1889)