quarta-feira, 31 de julho de 2013

“Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria. Muitas vezes antes de adormecer – nessa pequena luta por não perder a consciência e entrar no mundo maior – muitas vezes, antes de ter a coragem de ir para a grandeza do sono finjo que alguém está me dando a mão e então vou, vou para a enorme ausência de forma que é o sono.”
 (Clarice Lispector)

terça-feira, 30 de julho de 2013

Fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem é fácil. Quero ver é ter a capacidade de se colocar no lugar do outro, compreender seus sentimentos e tratá-lo como ele gostaria de ser tratado de acordo com sua individualidade.
"Há uma teoria que diz que se um dia alguém descobrir exatamente qual é o propósito do Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais bizarro e inexplicável. Há uma outra teoria que diz que isso já aconteceu."
 (Douglas Adams)
Ninguém se lembra do início. Ilusão de eternidade. Eternidade em um coração mortal.
Quando somos crianças, morte é um conceito distante. Até que você começa a sentir o tempo e percebe que vai morrer.
Você é um ponto perdido na eternidade. Incontáveis eras se passaram antes de você e depois de você incontáveis eras virão. Você entra no meio de uma história cujo fim jamais verá.
" […] Pois bem, começamos nossa vida na cidade. Ali, a vida é melhor para as pessoas infelizes. Na cidade, um homem pode viver cem anos e nem perceber que já morreu e apodreceu há muito. Não há tempo para alguém examinar a si mesmo, está tudo ocupado. Os negócios, as relações sociais, a saúde, as artes, a saúde dos filhos, a sua educação. Ora é preciso receber estes e aqueles, ir visitar uns e outros, ora é preciso encontrar-se com esta, ouvir aquele ou aquela. Na cidade, a qualquer momento, há uma, ou simultaneamente duas, três celebridades, que não se pode deixar de ver. Ora é preciso tratar-se ou providenciar o tratamento de outrem, ora são os professores, explicadores, governantas, e a vida corre vazia, vazia. E assim vivemos, sentindo menos dolorosa a nossa coabitação." (Leon Tolstói, em “A Sonata a Kreutzer", 1889)

Quando me amei de verdade

Quando me amei de verdade
pude compreender
que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo,na hora certa.
Então pude relaxar.
Quando me amei de verdade
pude perceber que o sofrimento
emocional é um sinal de que estou indo
contra a minha verdade.
Quando me amei de verdade
parei de desejar que a minha vida
fosse diferente e comecei a ver
que tudo o que acontece contribui
para o meu crescimento.
Quando me amei de verdade
comecei a perceber como
é ofensivo tentar forçar
alguma coisa ou alguém
que ainda não está preparado.
- inclusive eu mesma.
Quando me amei de verdade
comecei a me livrar de tudo
que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas,
crenças e – qualquer coisa que
me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo.
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.
Quando me amei de verdade
deixei de temer meu tempo livre
e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!
Quando me amei de verdade
desisti de querer ter sempre razão,
e com isso errei muito menos vezes.
Quando me amei de verdade
desisti de ficar revivendo o passado
e de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
que é onde a vida acontece.
Quando me amei de verdade
percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco
a serviço do meu coração,
ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Kim McMillen & Alison McMillen

Pintinhas

A vaidade é um animal que se deve alimentar em silêncio, para que ele não desperte completamente. De outra forma, torna-se insaciável.

Por isso, às vezes, quieto, olho para você longamente. E você me pergunta:

- O que foi?

E eu, bobo, respondo:

- Nada. Só olhando.

A mais banal das respostas. Usamos até nas lojas para dispensar vendedores quando queremos só dar uma espiada. Mas quando olho assim pra você é porque não quero dar apenas uma espiada. Quero tudo. O que desejo não se compra, também não se toma. Apenas se recebe, como um presente que nos espera a sorrir no portão de desembarque. E, olha lá, necessário é devolver depois de um tempo.

Sabe, você tem um jeito de pronunciar as palavras e, outro dia, me peguei a imitá-la em uma conversa banal com amigos. Uma maneira de falar a palavra “também”, por exemplo. Apesar de ela ser indispensável no dia a dia, sempre a achei horrível. Com sua pronúncia, inconfundível, tornei-a mais bela aos meus ouvidos.

Sinto que me torno um pouco de você assim, nessas coisinhas. Percebo às vezes que mudo, mesmo sem querer, meu jeito de me comportar para de alguma forma tornar-me mais semelhante. Não, não quero ser você, mas sim manter minha identidade, cada vez mais forte, através de coisas que, em você, acho belas.

Mais que achar belo, nos tornamos, aos poucos, aquilo que amamos. Olhe para quem você ama e pense se você quer ser daquele jeito. Se a resposta for sim, é provável que, de fato, seja amor. Se for não, não excluo a possibilidade de amor, mas talvez seja outra coisa.

Amo o que é belo, como o resto da humanidade, e, da mesma forma, acho belo o que amo. Assim, sei que acharei belo o mínimo gesto seu. O apagar todas as luzes e deixar a da varanda acesa para manter o quarto em uma suave penumbra, o comer de colher, o apertar dos olhos quando sorri, o chorar ao cortar cebola e o deixar-me ajudar na cozinha quando não permite isso a ninguém, o saber exatamente o que quer quando compra alguma roupa, o lembrar-me onde deixei as chaves, o fazer café na sua própria caneca, o ralhar com o sol que nasce na janela do meu quarto a iluminar tudo logo pela manhã, o ensinar-me jeitos e lugares de morder, o vasculhar de seus dedos em meu rosto, em minhas orelhas, bochechas e queixo, o dormir do lado esquerdo da cama, o deixar-se levar pelas histórias no cinema, o dançar e o interpretar ao contar uma história, o surtar das palavras ao escrever algo, o falar, às vezes, em segunda pessoa como se fôssemos um casal muito antigo.

- Sabes o que quero dizer, my lord?

- E como não saberia o que querias dizer, milady?

Alguns dizem que amamos no outro o que sabemos de belo em nós e detestamos nele aquilo que conhecemos de horrível em nosso íntimo. E, nesse misterioso processo – misterioso porque é difícil saber quando uma coisa se torna uma e uma se torna outra em uma tênue fronteira -, nesse misterioso processo, tentamos nos descobrir.

Ouvi certa vez a história de uma jovem que seria desposada por um vampiro. E ela estava atormentada com o fato de nunca mais poder ver seu reflexo, pois os espelhos nada dizem aos vampiros.

- Como poderei saber se estarei bela para você? – disse ela.

- Eu verei. E direi. – ele respondeu.

Quando se pergunta a outro se ficamos bem em uma roupa ou com um penteado, na verdade, queremos saber, no fim das contas, quem somos. Estamos cegos para nós e os espelhos nada nos dizem.

Eu queria ser seu espelho mais íntimo, aquele para o qual se olha e só se vê a verdade. Poder, assim, dizer-lhe quem você é. Doa a verdade ou faça, a verdade, gozar. Que em mim você se visse como eu a vejo, sem arestas, sem finos tecidos que permitem apenas a visão de uma silhueta. Não, não tenho noção de sua totalidade, nem sei se posso ou quero ter, se mesmo a minha, para mim é, ainda, secreta.

Porém, certas coisas não se dizem com palavras.

Mas está aqui. Está aqui essa totalidade. Em algum lugar. Onde? Está. Sei, pois quando olho em silêncio para você, longamente, você olha pra mim também. E é esse meu espelho. Nele tento me olhar não para amar a mim apenas, o que seria egoísta, mas para tentar me encontrar pleno naquele instante. E, no exato segundo em que penso que conseguirei, seus olhos se apertam em um sorriso, não seriam seus olhos se não o fizessem, e você pergunta:

- O que foi?

- Nada. Só olhando.

Era eu, que navegava por lugares seus como um desbravador sem que você se desse conta disso. Me perdia, me encontrava, alternadamente, quase desorientado, mas sem fazer muito caso para esse fato.

Não sei se é verdade que eu, a seguir, descobriria um pouco mais sobre mim. Ou sobre você. Pode ser ilusão, pode ser pretensão, pode ser vaidade. Mas nessa hora desvio um pouco o olhar para o Cruzeiro do Sul.

São suas pintinhas.

Uma constelação.

Não lembro que os primeiros navegadores a usaram para se orientar nos mares daqui.

Apenas penso que ela é a coisa mais linda desse mundo."


Alessandro Martins

O assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjunção.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
Paulo Leminski
"O cavalo está aqui para ficar, mas o automóvel é apenas uma moda". Presidente do banco Michigan, em 1903
"A televisão não vai durar. É uma tempestade num copo d’água". Mary Somerville, em 1948
"Não há razão para que alguém queira ter um computador em casa". Ken Olson, em 1977
Muita gente já duvidou de coisas que pareciam inacreditáveis. Não seja mais um. Acredite nas oportunidades.

Instantes - Ram Dass

SE EU PUDESSE VIVER NOVAMENTE A MINHA VIDA, NA PRÓXIMA VIDA TRATARIA DE COMETER MAIS ERROS. NÃO TENTARIA SER TÃO PERFEITO, RELAXARIA MAIS.
SERIA MAIS TOLO AINDA DO QUE TENHO SIDO. NA VERDADE, BEM POUCAS COISAS EU LEVARIA A SÉRIO.
SERIA MENOS HIGIÊNICO. CORRERIA MAIS RISCOS, CONTEMPLARIA MAIS ENTARDECERES, SUBIRIA MAIS MONTANHAS, NADARIA MAIS RIOS.
IRIA A MAIS LUGARES ONDE NUNCA FUI, TOMARIA MAIS SORVETES E MENOS LENTILHA, TERIA MAIS PROBLEMAS REAIS E MENOS PROBLEMAS IMAGINÁRIOS.
EU FUI UMA DESSAS PESSOAS QUE VIVEU SENSATA E PRODUTIVAMENTE CADA MINUTO DE VIDA. CLARO QUE TIVE MOMENTOS DE ALEGRIA.
MAS, SE PUDESSE VOLTAR A VIVER, TRATARIA DE TER SOMENTE BONS MOMENTOS
PORQUE, SE NÃO SABEM, DISSO É FEITA A VIDA, SÓ DE BONS MOMENTOS.
EU ERA UM DESSES QUE NUNCA IA A PARTE ALGUMA SEM UM TERMÔMETRO, UMA BOLSA DE GELO, UM GUARDA-CHUVAS E UM PARA-QUEDAS.
SE VOLTASSE A VIVER, VIAJARIA MAIS LEVE.
SE EU PUDESSE VOLTAR A VIVER, COMEÇARIA A ANDAR DESCALÇO NO COMEÇO DA PRIMAVERA E CONTINUARIA ASSIM ATÉ O FIM DO OUTONO.
DARIA MAIS VOLTAS NA MINHA VIDA, CONTEMPLARIA MAIS AMANHECERES, EU BRINCARIA COM MAIS CRIANÇAS, SE TIVESSE OUTRA VEZ UMA VIDA PELA FRENTE.
MAS, JÁ VIRAM, TENHO 85 ANOS E SEI QUE ESTOU MORRENDO.
Já perdi muito nesta vida, e não sei se tenho disposição para perder ainda mais. Fico aqui, esperando o que virá, com cara cheia de susto. Olhos arregalados, coração batendo na boca, encantado com a vida, assustado com a morte. 
Fico aqui. Quando posso, vou. Mas, quando não vou, dou um jeito de aprender a ficar. Eu me agarro às esperanças. Elas são muitas. Elas são tantas! Estão por todos os lados., mas costumam estar adormecidas. O segredo é gritar por elas. A esperança tem sono leve.
Passe algum tempo sozinho todos os dias.
Dalai Lama

Solidão

Desesperança das desesperanças… 
Última e triste luz de uma alma em treva… 
- A vida é um sonho vão que a vida leva 
Cheio de dores tristemente mansas. 

- É mais belo o fulgor do céu que neva 
Que os esplendores fortes das bonanças 
Mais humano é o desejo que nos ceva 
Que as gargalhadas claras das crianças. 

Eu sigo o meu caminho incompreendido 
Sem crença e sem amor, como um perdido 
Na certeza cruel que nada importa. 

Às vezes vem cantando um passarinho 
Mas passa. E eu vou seguindo o meu caminho 
Na tristeza sem fim de uma alma morta.
(Vinícius de Moraes)

Parte, e tu verás

Parte, e tu verás 
Como as coisas que eram, não são mais 
E o amor dos que te esperam 
Parece ter ficado para trás 
E tudo o que te deram 
Se desfaz. 

Parte, e tu verás 
Como se quedam mudos os que ficam 
Como se petrificam 
Os adeuses que ficaram a te acenar no cais 
E como momentos que passaram apenas 
Perecem tempos imemoriais. 

Parte, e tu verás 
Como o que era real, resta impreciso 
Como é preciso ir por onde vais 
Com razão, sem razão, como é preciso 
Que andes por onde estás. 

Parte, e tu verás 
Como insensivelmente esquecerás 
Como a matéria de que é feito o tempo 
Se esgarça, se dilui, se liquefaz 
E qualquer novo sentimento 
Te compraz 

Repara como um novo sofrimento 
Te dá paz 
Repara como vem o esquecimento 
E como o justificas 
E como mentes insensivelmente 
Porque és, porque estás 

Ah, eterno limite do presente 
Ah, corpo, cárcere, onde faz 
0 amor que parte e sente 
Saudade, e tenta, mas 
Para viver, subitamente, mente 
Que já não sabe mais 
Vida, o presente; morte, o ausente - 
Parte, e tu verás…
(Vinícius de Moraes)

Fim

"Será que cheguei ao fim de todos os caminhos 
E só resta a possibilidade de permanecer? 
Será a Verdade apenas um incentivo à caminhada 
Ou será ela a própria caminhada? 
Terão mentido os que surgiram da treva e gritaram - Espírito! 
E gritaram - Coragem! 
Rasgarei as mãos nas pedras da enorme muralha 
Que fecha tudo à libertação? 
Lançarei meu corpo à vala comum dos falidos 
Ou cairei lutando contra o impossível que antolha-me os passos 
Apenas pela glória de tombar lutando? 

Será que eu cheguei ao fim de todos os caminhos… 
Ao fim de todos os caminhos?"
(Vinícius de Moraes)
"A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre." 
(Vinícius de Moraes)

Bom dia, tristeza

Bom dia, tristeza 
Que tarde, tristeza 
Você veio hoje me ver 
Já estava ficando 
Até meio triste 
De estar tanto tempo 
Longe de você 

Se chegue, tristeza 
Se sente comigo 
Aqui, nesta mesa de bar 
Beba do meu copo 
Me dê o seu ombro 
Que é para eu chorar 
Chorar de tristeza 
Tristeza de amar

(Vinícius de Moraes)

Soneto de aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos 
Amadureçam as ilusões da vida 
Prossiga ela sempre dividida 
Entre compensações e desenganos. 

Faça-se a carne mais envilecida 
Diminuam os bens, cresçam os danos 
Vença o ideal de andar caminhos planos 
Melhor que levar tudo de vencida. 

Queira-se antes ventura que aventura 
À medida que a têmpora embranquece 
E fica tenra a fibra que era dura. 

E eu te direi: amiga minha, esquece…. 
Que grande é este amor meu de criatura 
Que vê envelhecer e não envelhece.
(Vinícius de Moraes)
Às vezes na escuridão eu me perco.
Fico questionando a vida,
Os rumos que tomei.
Indago-me, sobretudo, sobre aqueles caminhos que não percorri,
E sobre as vidas que não vivi,
E os porres que não tomei.
A escuridão me traz essa clareza.
Fica nítida a inquietude que mora em mim.
A inconstância dos meus passos,
A incoerência dos meus desejos,
A forma como eu nunca me resolvi.
E é nessas noites que me percebo.
Que noto o quanto de vida ainda mora em mim.
E o quanto de vida deixei cessar
No tempo em que fiquei só a espreita,
Na janela daquele quarto,
Vivenciando o escuro e os efeitos que isso me causa.
Deixarei cessar quando necessário
Talvez assim, na clareza do breu,
Eu finalmente saiba qual novo caminho tomar.
E qual velho rumo hei de escapar,
E qual outra vida hei de viver.
Tudo assim acontecerá
No instante em que a noite chegar
E me calar os passos
E me interromper a voz
E me gritar os olhos
Na mesma velha janela daquele quarto sem luz.
Se Deus existe, que nos livre de sermos obrigados a acreditar nele.
Eliane Brum
Compromisso é permitir que o outro entre na nossa vida. É sonhar junto sem se sentir ameaçado, marcar um horário sem se sentir controlado, dividir o espaço sem se sentir invadido. Compromisso não é falta de liberdade. Compromisso é o exercício da liberdade de estar com alguém.
Será que você seria capaz de se esquecer de mim, e, assim mesmo, depois e depois, sem saber, sem querer, continuar gostando?
João Guimarães Rosa
Pensam em deixar um planeta melhor para seus filhos. Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?
A sua atenção determina o mundo que vê. Não existe nada como uma realidade objetiva lá fora, fixa, imutável. Tudo depende da qualidade da atenção que você utiliza para se relacionar com o mundo. Quando você muda o seu olhar, o seu mundo também muda.
Carlos Castaneda
Acho que é muito difícil amar os inimigos, mas amar os idiotas é quase impossível.
Seu Madruga
Quanto sangue você daria para continuar vivo?! Viver ou morrer, faça a sua escolha!
(Jogos Mortais)
A morte é uma festa surpresa, a menos, é claro, que já se esteja morto por dentro. 
(Jogos Mortais)
Errei mais de 9.000 cestas e perdi quase 300 jogos. Em 26 diferentes finais de partidas fui encarregado de jogar a bola que venceria o jogo… e falhei. Eu tenho uma história repleta de falhas e fracassos em minha vida. E é exatamente por isso que sou um sucesso.
 (Michael Jordan)

Para superar um obstáculo, você precisa entendê-lo. (Jogos Mortais)
Entre o estímulo e a resposta encontra-se nosso maior poder - a liberdade de escolha.
Stephen R. Covey
“Quando olho para as tumbas dos grandes homens, qualquer resquício do sentimento de inveja morre dentro de mim;
quando leio os epitáfios dos magníficos, todos os desejos desordenados desaparecem;
quando me deparo com o sofrimento dos pais em um túmulo, meu coração se desmancha de compaixão;
quando vejo a tumba dos próprios pais, lembro do quanto é vão chorarmos por aqueles a quem logo seguiremos;
quando vejo reis colocados ao lado daqueles que os depuseram, quando medito sobre os espíritos antagônicos enterrados lado a lado, ou os homens sagrados que dividiram o mundo com suas discussões e contendas, medito, cheio de dor e surpresa, sobre a pequenez das disputas, facções e debates da humanidade.
Quando leio as variadas datas dos túmulos, algumas recentes, outras de seiscentos anos atrás, penso no grande Dia no qual seremos todos contemporâneos, e faremos nossa aparição conjunta”.
(Joseph Addison)
"Não sei o que está acontecendo comigo, diz a paciente para o psiquiatra.
Ela sabe.
Não sei se gosto mesmo da minha namorada, diz um amigo para outro.
Ele sabe.
Não sei se quero continuar com a vida que tenho, pensamos em silêncio.
Sabemos, sim.
Sabemos tudo o que sentimos porque algo dentro de nós grita. Tentamos abafar esse grito com conversas tolas, elucubrações, esoterismo, leituras dinâmicas, namoros virtuais, mas não importa o método que iremos utilizar para procurar uma verdade que se encaixe em nossos planos: será infrutífero. A verdade já está dentro, a verdade se impõe, fala mais alto que nós, ela grita.
Sabemos se amamos ou não alguém, mesmo que esteja escrito que é um amor que não serve, que nos rejeita, um amor que não vai resultar em nada. Costumamos desviar esse amor para outro amor, um amor aceitável, fácil, sereno. Podemos dar todas as provas ao mundo de que não amamos uma pessoa e amamos outra, mas sabemos, lá dentro, quem é que está no controle.
A verdade grita. Provoca febre, salta aos olhos, desenvolve úlceras. Nosso corpo é a casa da verdade, lá de dentro vêm todas as informações que passarão por uma triagem particular: algumas verdades a gente deixa sair, outras a gente aprisiona e finge esquecer. Mas há uma verdade única : ninguém tem dúvida sobre si mesmo.
Podemos passar anos nos dedicando a um emprego sabendo que ele não nos trará recompensa emocional. Podemos conviver com uma pessoa mesmo sabendo que ela não merece confiança. Fazemos essas escolhas por serem as mais sensatas ou práticas, mas nem sempre elas estão de acordo com os gritos de dentro, aquelas vozes que dizem: vá por este caminho, se preferir, mas você nasceu para o caminho oposto. Até mesmo a felicidade, tão propagada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos. Você cumpre o ritual todinho, faz tudo como o esperado, e é feliz, puxa, como é feliz.
E o grito lá dentro: mas você não queria ser feliz, queria viver!
Eu não sei se teria coragem de jogar tudo para o alto.
Sabe.
Eu não sei por que sou assim.
Sabe."
( Martha Medeiros)
Os fracos são cruéis. A suavidade só pode vir dos fortes.
Leo Roskin

A essência da mudança

"Que a mudança é a única coisa permanente, todos já sabemos bem. Também sabemos que não dá para controlar a mudança, gerenciá-la, conduzi-la, manipulá-la, defini-la ou tentar outras formas de tomar posse do processo da vida. Tudo flui e a realidade vai se descortinando em novos cenários que nem sonhávamos em encontrar.
Não dá para antecipar o que desconhecemos. As circunstâncias se apresentam de um jeito tão inédito, inesperado e singular que a nossa imaginação, por mais prodigiosa que seja, é incapaz de predizer. Mesmo sabendo de tudo isso, temos a tendência a desejar, às vezes até ardentemente, que “determinada coisa” aconteça, ainda que seja uma opção no limite de nossa ignorância.
Desejamos aquilo que conhecemos, que é superlimitado, porém julgamos que o que queremos é o melhor dos mundos. Quando o que almejamos não acontece, tendemos a considerar o que de fato ocorreu como um erro, algo que não foi desejado, esperado nem antecipado e, portanto, incorreto. De onde tiramos essa ideia?
Diante de um evento da vida que julgamos inadequado, costumamos pedir ardentemente que as circunstâncias mudem. Queremos que aquilo acabe, que não seja mais daquela forma, que o que desejamos aconteça logo para nos tirar daquela dor, angústia ou ansiedade. Essa é a forma de expressar nosso desejo de controle. Oramos a um Ser Superior, uma entidade sutil, etérea, enfim, algo ou alguém que não é “deste mundo”, imaginando que, ao pedirmos ou protestarmos, poderemos ser ouvidos e atendidos em nossos desejos. Uma espécie de SAC cósmico."
Fonte: trecho do livro “O foco define a sorte – A forma como enxergamos o mundo  faz o mundo que enxergamos”, de Dulce Magalhães – Integrare Editora
Vencer é um hábito. Assim como fracassar.
Stephen R. Covey
Mas entre esses devaneios grandes demais, aos quais se entregavam com estranha condescendência, e a nulidade de suas ações reais, nenhum projeto racional, que conciliasse as necessidades objetivas e suas possibilidades financeiras, vinha se inserir. A imensidão dos desejos os paralisava.
— Georges Perec
No mundo deles, era quase regra desejar sempre mais do que se podia comprar. Não eram eles que tinham decretado isso; era uma lei da civilização, um dado de fato, de que a publicidade em geral, as revistas, a arte das vitrines, o espetáculo da rua, e até, sob certo aspecto, o conjunto das produções comumente chamadas culturais eram as expressões mais adequadas.
— Georges Perec

Não quero trabalhar no inferno

Era mais um daqueles dias que gostaríamos de esquecer.
Logo pela manhã o trânsito já sinalizava que as coisas não caminhariam bem. O carro da frente insistia em perambular pela rua com uma lentidão torturante. Justo naquele dia que ele precisava chegar mais cedo ao escritório para finalizar um relatório que, de tanta pressão que recebeu para entregar, parecia ser a salvação do planeta.
Até mesmo ouvir o noticiário no rádio trouxe uma refinada dose de autopunição. Cada matéria, escolhida pelos jornalistas naquele início de manhã, revelava uma desgraça ou uma injustiça ocorridas recentemente. O cenário fora do carro também não era muito animador. Os ônibus e as lotações passavam abarrotados de pessoas espremidas e sufocadas.
Nenhum sorriso, nenhuma alegria, apenas rostos angustiados e concentrados em seu próprio universo, talvez apenas esperando que aquele dia acabasse logo.
Quando ele chegou ao seu trabalho, descobriu que, durante a madrugada, um problema nos computadores destruíra o relatório que havia preparado durante a semana.
Assim, aquilo que seria uma simples revisão se tornou um castigo imenso, comprometendo as outras atividades do dia, inclusive o almoço de reencontro com um antigo colega de escola.
Voltando para sua casa no fim do dia, sentia uma sensação de déjàvu, pois os carros lentos, os ônibus lotados e os rostos angustiados faziam novamente parte do cenário.
O único pensamento que conseguia formular sobre isso era o de que não havia nada de novo, tudo sempre fora assim.
Ao chegar em casa, depois de estacionar seu carro, encontrou um vizinho simpático que lhe perguntou:
– Como vai, vizinho?
A resposta saiu sem energia e quase automática:
– Vou indo…
O vizinho não quis ampliar a conversa, talvez por receio de se contaminar com a falta de entusiasmo da resposta.
Ao entrar em casa, ele foi recebido por um garoto que não tinha altura suficiente para um cumprimento mais próximo e, sendo seu filho, curvou‑se para dar‑lhe um beijo.
O movimento revelou-se traumático, pois seu corpo sedentário não lhe proporcionava a flexibilidade de outros tempos. O sedentarismo também determinou suas próximas ações, fazendo que o prometido jogo de bola com o filho fosse novamente adiado para outra ocasião.
Digeriu o jantar durante uma nova dose de autopunição, dessa vez proporcionada pelo telejornal. Depois de cochilar no sofá por alguns instantes, entregou seu corpo para a sedutora cama, começando seu sono com imagens e pensamentos das atividades que realizaria no dia seguinte.
Muitos anos se passaram, e essa rotina foi se cristalizando de tal forma que parecia fazer todo sentido. Quando era questionado sobre sua vida, ele sempre respondia:
– Vou indo…
Quando seu filho já tinha altura para cumprimentá‑lo sem que isso representasse um esforço físico, ele foi surpreendido por uma pergunta:
– Pai, sempre vejo você cansado, chateado, esgotado. Você não parece feliz! E para onde está “indo”, quando as pessoas cumprimentam você?
Ele não tinha uma resposta pronta, mas tentou esboçar um argumento que pudesse ser coerente:
– Filho, eu sigo minha vida, vou indo para onde todos nós vamos. Gostaria de ser mais feliz, sim, mas o meu trabalho é um inferno. Quando chego de lá, estou completamente acabado. Desde que assumi a chefia do departamento, não tenho tempo para mais nada. Gasto parte de minhas energias cuidando de garantir o meu emprego, pois minha posição é muito cobiçada por causa dos privilégios que tenho – também, com tantas responsabilidades, alguma coisa eu precisava ter de vantagem. Mas a verdade é que eu não vejo a hora de me aposentar e sair de lá. Aí eu vou ser feliz!
Antes que o filho comentasse, ele perguntou:
– Mas e você, meu filho, o que pensa em fazer da vida?
Pra onde vai?
O jovem respondeu:
– Pai, não sei pra onde vou no futuro, mas uma coisa eu posso lhe garantir, vou pensar muito antes de querer ser chefe. Talvez eu queira ter outro tipo de trabalho, em que possa apenas realizar projetos e não ficar lutando por cargos. Não sei se conseguirei, mas de uma coisa já tenho certeza: não vou mandar meu currículo para sua empresa, pois eu quero ser feliz antes de me aposentar. Não quero trabalhar no inferno!
Fonte: trecho do livro “Geração Y – Ser Potencial ou Ser Talento? Faça por merecer” de Sidnei Oliveira – Integrare Editora
A realidade é inacabada, é um eterno e caótico fluir. Devemos reconhecer a incompletude e a incerteza da realidade (…)
Sebastiana L. B. Lana
Covarde não é aquele que evita um combate, covarde é aquele que mesmo sabendo que é superior, luta e fere o mais fraco.
Bruce Lee
Tenho-me esforçado por não rir das ações humanas, por não deplorá-las nem odiá-las, mas por entendê-las.
Spinoza